As comunidades quilombolas do Vale do Guaporé, em Rondônia, preservam formas de vida, celebrações religiosas, conhecimentos tradicionais e memórias transmitidas entre gerações. Localizadas em áreas próximas aos rios Guaporé, São Miguel, Manuel Correia e Cautário, elas mantêm uma relação estreita com o território, a pesca, o extrativismo, a agricultura e a cultura ribeirinha.
O Governo de Rondônia informa a existência de oito comunidades tradicionais quilombolas distribuídas por municípios como Costa Marques, São Francisco do Guaporé, São Miguel do Guaporé, Alta Floresta do Oeste e Pimenteiras do Oeste. Em levantamento divulgado em 2024, o Incra registrou que duas comunidades do estado já tinham seus territórios titulados, enquanto outras estavam em processo de regularização fundiária.
Tradições preservadas pelas comunidades
A cultura quilombola do Vale do Guaporé aparece em diferentes dimensões da vida cotidiana. Entre os saberes preservados estão práticas de cultivo, pesca artesanal, preparo de alimentos, uso tradicional de plantas, música, religiosidade e narrativas contadas pelos moradores mais velhos.
As mulheres negras ocupam papel importante na transmissão desses conhecimentos. Pesquisas acadêmicas identificam a presença de práticas tradicionais relacionadas à culinária, à música e aos cuidados com a saúde, além da preservação da memória familiar e comunitária.
Uma das manifestações religiosas mais conhecidas da região é a Festa do Divino Espírito Santo, celebração que reúne comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhos e moradores de diferentes localidades do Vale do Guaporé. A festividade é considerada uma das expressões culturais tradicionais da região e também se relaciona à navegação pelos rios e à devoção religiosa.
Como conhecer e valorizar essa cultura
Quem deseja conhecer as comunidades quilombolas deve buscar informações antes de viajar. Muitas localidades estão distantes dos centros urbanos e o acesso pode depender de deslocamentos por estrada ou rio. Por isso, é recomendável procurar órgãos municipais de cultura e turismo, entidades de assistência social ou representantes comunitários para confirmar as condições de visita e a existência de atividades abertas ao público.
A visita deve respeitar a autonomia dos moradores. É importante pedir autorização antes de fotografar pessoas, casas, celebrações ou espaços de uso comunitário. Também não se deve retirar objetos, plantas ou materiais do território, interromper cerimônias religiosas ou tratar práticas culturais como simples atração turística.
Quando houver comercialização de alimentos, artesanato, hospedagem ou passeios conduzidos por moradores, dar preferência a essas iniciativas contribui diretamente para a economia local. A compra consciente também ajuda a reconhecer o trabalho comunitário e a fortalecer a permanência das famílias em seus territórios.
Território e continuidade histórica
A preservação das tradições está ligada à garantia do território e ao acesso a políticas públicas. A regularização fundiária, a educação escolar quilombola, o transporte, a saúde e o apoio à produção são fatores que influenciam a continuidade dos modos de vida locais.
Mais do que um conjunto de manifestações folclóricas, as comunidades quilombolas do Vale do Guaporé representam grupos que mantêm identidades, histórias e formas próprias de organização. Conhecer essa realidade exige respeito à memória, aos direitos e às decisões de cada comunidade.





