A agricultura familiar em Rondônia chega às cidades por diferentes caminhos. Frutas, hortaliças, raízes, café, ovos, leite, pescados, polpas, mel e produtos processados saem de propriedades rurais e comunidades do interior com destino a feiras, mercados, restaurantes, entidades sociais e consumidores.
O percurso começa na propriedade. Depois da colheita, os alimentos são separados, acondicionados e transportados conforme o tipo de produto e o destino da venda. Em muitos casos, o produtor utiliza veículo próprio ou divide o frete com outros agricultores. Também existem iniciativas públicas voltadas a reduzir o custo do deslocamento e facilitar o acesso aos pontos de comercialização.
Transporte é uma das principais etapas
Em áreas rurais, a distância até os centros urbanos e as condições das estradas podem dificultar o escoamento. Para quem trabalha com produtos perecíveis, como verduras, frutas e leite, o tempo de viagem interfere diretamente na qualidade e na possibilidade de venda.
Em Porto Velho, a Secretaria Municipal de Agricultura informa que oferece transporte gratuito da produção de comunidades rurais até feiras livres e pontos de entrega de programas de aquisição de alimentos. O serviço atende produtos como frutas, verduras, raízes, café, polpas e mudas. Segundo o órgão, o cadastro exige documentos como RG, CPF e Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).
Feiras aproximam produtor e consumidor
As feiras são um dos principais canais de venda direta. Nelas, o agricultor pode apresentar a produção, negociar com o consumidor e reduzir a dependência de intermediários. A venda direta também permite que o público conheça a origem dos alimentos e encontre produtos sazonais e regionais.
O governo de Rondônia organiza ou apoia feiras da agricultura familiar em diferentes municípios. Esses eventos reúnem hortaliças, frutas, mel, doces, embutidos, derivados de leite e outros itens produzidos por famílias rurais. Além de vender no local, os produtores podem estabelecer contatos com comerciantes e compradores de outras cidades.
Programas públicos criam canais de compra
Outra forma de levar alimentos do campo às cidades é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A iniciativa compra produtos da agricultura familiar e os destina a entidades socioassistenciais e ações de segurança alimentar. Em Rondônia, entregas do programa foram realizadas em municípios como Colorado do Oeste, com participação de órgãos estaduais e assistência técnica rural.
Esse modelo reduz a incerteza sobre a venda e permite que o produtor organize melhor o plantio. A produção pode ser entregue de forma planejada, conforme as regras de cada chamada pública e os produtos demandados. O PAA também aproxima a atividade rural de políticas voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade.
Agroindústrias ampliam o alcance
Quando o agricultor beneficia a produção, o alimento pode ganhar maior durabilidade e valor comercial. Leite transformado em queijo, frutas convertidas em polpas ou doces e carnes processadas em agroindústrias familiares são exemplos de produtos que podem alcançar mercados mais distantes.
Para isso, são necessários cuidados de higiene, armazenamento, transporte e inspeção, conforme o tipo de alimento e a legislação aplicável. A assistência técnica da Emater-RO e de órgãos municipais ajuda produtores a melhorar a produção, organizar a comercialização e buscar novos compradores.
Assim, o caminho entre o campo e a cidade depende de uma rede formada por agricultores, transportadores, feirantes, compradores, órgãos públicos e consumidores. Quando essa estrutura funciona, o alimento chega com mais regularidade às cidades e a renda permanece nas comunidades rurais de Rondônia.








