O café de Rondônia está cada vez mais presente na mesa dos moradores. Produzido principalmente por agricultores familiares, o grão deixou de ser associado apenas às lavouras e às operações de exportação e passou a ocupar espaço em mercados, feiras, cafeterias e pontos de venda direta no estado.
O avanço é resultado de investimentos em produtividade, qualidade e beneficiamento. Em muitas propriedades, o café é colhido, seco, torrado e embalado próximo ao local de produção. Esse processo permite que o consumidor conheça melhor a origem do produto e amplia a renda das famílias que vivem no campo.
Produção concentrada no café robusta
Rondônia produz principalmente cafés da espécie Coffea canephora, que reúne variedades robusta, conilon e híbridos. O cultivo é adaptado às condições de calor e às áreas de menor altitude do estado. Na região conhecida como Matas de Rondônia, o produto recebeu, em 2021, Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
A cafeicultura está espalhada por diferentes municípios, mas tem maior concentração nas Matas de Rondônia. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a região se consolidou como uma das principais áreas produtoras do estado e passou a ser reconhecida pela identidade própria dos chamados robustas amazônicos. (gov.br)
Da lavoura para o comércio local
O crescimento da oferta de cafés produzidos no próprio estado também está ligado à organização das propriedades e ao fortalecimento das agroindústrias familiares. Com o processamento realizado na origem, os produtores conseguem comercializar diferentes tipos de café, incluindo produtos torrados e moídos, cafés especiais e lotes identificados pela comunidade ou pela propriedade rural.
Em Porto Velho, por exemplo, produtores de diferentes regiões têm apresentado seus cafés em feiras e eventos agropecuários. A estratégia aproxima agricultores e consumidores e cria novas oportunidades para marcas familiares, inclusive de comunidades indígenas. Um caso recente é o Café Arauá, produzido na Terra Indígena Rio Branco e comercializado inicialmente em pontos de entrega no município de origem antes de alcançar novos públicos em eventos na capital. (seinfra.portovelho.ro.gov.br)
Impacto na renda das famílias
A expansão do mercado ajuda a manter recursos dentro do próprio estado. Dados divulgados pelo IBGE mostram que o café alcançou valor de produção de R$ 3,2 bilhões em Rondônia em 2025, ficando atrás apenas da soja entre os principais produtos agrícolas do estado. (ibge.gov.br)
Em levantamento divulgado pela Emater-RO, Rondônia aparece com produção de 3,1 milhões de sacas de café beneficiado em 2024. O órgão também informou que parte da produção foi destinada à exportação, enquanto o restante atende ao mercado brasileiro e às vendas realizadas por produtores e agroindústrias. (emater.ro.gov.br)
Para os moradores, a maior presença do café rondoniense significa mais opções de consumo e contato com a origem do alimento. Para os agricultores, representa a possibilidade de agregar valor ao grão, reduzir a dependência da venda de matéria-prima e fortalecer uma cadeia produtiva que combina tradição, tecnologia e identidade regional.








