Para muitos estudantes de áreas rurais em Rondônia, o dia começa antes do amanhecer. Antes de chegar à sala de aula, é preciso percorrer estradas de terra, atravessar rios ou caminhar até o ponto de embarque do transporte escolar. Em um estado de grandes distâncias e comunidades espalhadas, o deslocamento é parte decisiva da rotina escolar.
A realidade varia conforme a região. Há alunos que utilizam ônibus e vans em trajetos por estradas rurais, enquanto estudantes de comunidades ribeirinhas dependem de embarcações para chegar às escolas. Em áreas de difícil acesso, as condições das vias, o período de chuvas e o nível dos rios podem interferir no tempo de viagem e na regularidade do transporte.
Transporte é condição para chegar à escola
O transporte escolar rural é um dos principais instrumentos para garantir o acesso e a permanência dos alunos na rede pública. Em Rondônia, o governo estadual mantém o programa “Ir e Vir” em parceria com os municípios para atender estudantes que vivem na zona rural. A iniciativa contempla a contratação e a manutenção de veículos destinados ao deslocamento escolar, conforme informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Educação.
Nos territórios ribeirinhos, o transporte pode ser feito por barcos e voadeiras. Um exemplo registrado pelo governo estadual é o de estudantes do distrito de Calama, em Porto Velho, que dependem do transporte fluvial para chegar às aulas. Nesses casos, o percurso exige organização das famílias e atenção às condições de navegação.
Estudo e vida no campo
A rotina desses alunos também é influenciada pelas atividades desenvolvidas nas propriedades e comunidades. Muitos vivem em famílias ligadas à agricultura, à pecuária, à pesca, ao extrativismo ou a outras formas de trabalho rural. Por isso, a educação do campo busca considerar características econômicas, sociais, culturais e ambientais de cada localidade.
O Plano Estadual de Educação de Rondônia prevê que as escolas do campo adotem propostas pedagógicas adequadas às condições de vida da população rural. Entre os princípios estão a possibilidade de adaptação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas, além da valorização de conteúdos relacionados à realidade dos estudantes.
Em algumas localidades, o ensino é organizado por meio de escolas-polo, que atendem comunidades rurais e podem funcionar em parceria entre as redes estadual e municipal. No ensino médio do campo, também há experiências que articulam os períodos de permanência na escola e de participação na comunidade, aproximando o conteúdo escolar do cotidiano dos alunos.
Desafios para permanecer estudando
Mais do que chegar à escola, os estudantes precisam enfrentar desafios para continuar os estudos. A distância, a dificuldade de acesso à internet, a oferta limitada de etapas de ensino em algumas comunidades e a necessidade de conciliar a formação escolar com a rotina familiar podem afetar a trajetória educacional.
Mesmo diante dessas barreiras, a escola ocupa papel central nas comunidades rurais de Rondônia. Ela representa acesso ao conhecimento, convivência social e possibilidade de ampliar as perspectivas profissionais sem romper necessariamente com a vida no campo. Para que esse direito seja assegurado, transporte adequado, infraestrutura, professores e políticas educacionais adaptadas às realidades locais permanecem essenciais.








