O Forte Príncipe da Beira é um dos principais símbolos da história de Rondônia. Construído no século XVIII às margens do rio Guaporé, no município de Costa Marques, o monumento está ligado às disputas territoriais entre Portugal e Espanha e à ocupação da fronteira oeste da América portuguesa.
Além da importância militar e política, o forte também ajuda a compreender a participação de indígenas, africanos escravizados, trabalhadores livres e militares na formação histórica do Vale do Guaporé. Por isso, conhecer o local é uma forma de observar diferentes capítulos da ocupação regional a partir de um patrimônio preservado em meio à paisagem amazônica.
Por que o forte foi construído
A construção começou em 1776, durante o período colonial, por determinação da Coroa portuguesa. A fortificação tinha o objetivo de reforçar a presença portuguesa em uma área estratégica, próxima ao território controlado pela Espanha, e proteger rotas de circulação e áreas associadas à exploração de riquezas naturais.
O projeto foi implantado em uma região de difícil acesso, o que tornou a obra longa e complexa. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o forte foi inaugurado em agosto de 1783 e se tornou um marco da política de ocupação e defesa da fronteira.
Uma fortificação de grandes dimensões
O Forte Príncipe da Beira foi construído em formato quadrangular, com baluartes nos vértices e muralhas robustas. O Iphan considera o monumento a maior edificação militar portuguesa construída fora da Europa no período colonial.
Parte da estrutura foi feita com pedras retiradas do rio Guaporé. As muralhas, que chegam a cerca de sete metros em alguns trechos, revelam a escala do empreendimento e as técnicas empregadas no século XVIII. O conjunto também é reconhecido como sítio arqueológico, o que amplia seu valor para pesquisas sobre a ocupação da região.
Abandono, redescoberta e preservação
Com as mudanças políticas e econômicas do século XIX, o forte perdeu importância estratégica e passou por um longo período de abandono. A área foi posteriormente visitada por expedições, incluindo a liderada pelo marechal Cândido Rondon, no início do século XX.
Em 1950, o monumento foi tombado pelo Iphan e passou a contar com proteção legal como patrimônio cultural brasileiro. Atualmente, o forte está associado à atuação do Exército Brasileiro e às ações de preservação conduzidas em parceria com órgãos de patrimônio.
O que observar durante uma visita
Quem visita o Forte Príncipe da Beira pode observar a configuração das muralhas, os baluartes, os espaços internos e a relação da construção com o rio Guaporé e a fronteira com a Bolívia. A experiência também permite conhecer a história da comunidade quilombola Forte Príncipe da Beira, formada na região ao longo do processo de ocupação do Vale do Guaporé.
Antes de viajar, é importante confirmar as condições de acesso, a possibilidade de visitação, os horários e eventuais exigências junto aos órgãos responsáveis. A página do atrativo no portal Rondônia Tem Turismo apresenta informações históricas, mas não detalha horários ou procedimentos atualizados para visitantes.
Também é recomendável respeitar as áreas delimitadas, não retirar pedras ou objetos e seguir as orientações de segurança e preservação. Como se trata de um patrimônio protegido e de uma área ligada à atuação militar, o acesso pode depender de regras específicas.





