quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Política

O trabalho coletivo por trás das 1.742 páginas do plano do Amazonas

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas foi organizado em três volumes, com aproximadamente 1.742 páginas e a participação de especialistas, entidades e representantes de diferentes setores. O trabalho coordenado por Durango Duarte será uma das referências técnicas da gestão de Omar Aziz, eleito governador para o mandato que começa em janeiro de 2027.
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O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas foi estruturado a partir do trabalho de equipes multidisciplinares coordenadas pelo empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte. Apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD) como uma das bases de seu projeto de governo, o planejamento reúne aproximadamente 1.742 páginas distribuídas em três volumes.

Os documentos organizam diagnósticos, indicadores, metas e propostas para áreas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional.

A elaboração contou com pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo. A intenção declarada é estabelecer uma agenda que ultrapasse o período de um mandato e possa orientar políticas públicas de longo prazo.

Três volumes para diferentes áreas do Estado

O primeiro volume do plano trata da situação fiscal do Amazonas, dos efeitos da Reforma Tributária, da infraestrutura, da logística e da diversificação da economia. O texto também aborda o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e a expansão de atividades produtivas no interior.

Entre os setores mencionados estão a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia. O conjunto de propostas parte da necessidade de ampliar a capacidade de investimento do Estado e reduzir as desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior.

O segundo volume é dedicado à saúde, à segurança pública e à assistência social. Na saúde, o planejamento prevê a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Na segurança, o documento propõe a modernização do Ronda no Bairro e a ampliação do programa por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Para a assistência social, o Amazonas Forte Social é apresentado como uma iniciativa voltada ao fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e à ampliação das oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume reúne propostas para educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio e a expansão da educação profissional e tecnológica.

O documento também prevê a modernização dos serviços públicos por meio do Amazonas Digital e Inovador, além do fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). A valorização cultural e a proteção dos povos indígenas também integram esse volume.

Coordenação reuniu especialistas e instituições

Durango Duarte participou da organização das equipes responsáveis pelos diferentes eixos temáticos. O trabalho envolveu a integração entre estudos, diagnósticos e propostas para a administração estadual.

O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes. A elaboração também incorporou contribuições de entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

Os documentos procuram relacionar os problemas identificados às soluções propostas e aos mecanismos necessários para sua execução. O planejamento prevê o uso de indicadores, metas e instrumentos de avaliação para acompanhar os resultados das políticas públicas.

Outra diretriz apresentada é a continuidade de iniciativas entre diferentes governos. A proposta busca estruturar programas que possam permanecer em funcionamento mesmo diante de mudanças na administração estadual.

O plano inclui ainda temas como inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública.

Experiência em pesquisa e gestão pública

A coordenação do planejamento está relacionada à trajetória profissional de Durango Duarte, construída em áreas como pesquisa eleitoral, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975 e desenvolveu na capital amazonense a maior parte de sua carreira.

Sua formação inclui estudos em Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também é graduado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).

Durango realizou especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. A atuação profissional passou por pesquisas, comunicação institucional, planejamento estratégico e consultoria para administrações públicas.

A aproximação com a política começou no movimento estudantil, na década de 1980, em atividades ligadas à redemocratização do país e à representação universitária. Nesse período, estabeleceu relações que permaneceriam presentes em sua trajetória profissional.

Relação com Omar Aziz começou nos anos 1980

A relação profissional entre Durango Duarte e Omar Aziz teve início no ambiente estudantil e político amazonense. Em 1988, Durango foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac).

No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar Aziz para a Câmara Municipal de Manaus. Entre 1989 e 1990, também atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto.

Ao longo dos anos seguintes, desenvolveu trabalhos de consultoria associados a administrações estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de gestões municipais. As atividades envolveram estudos, estratégias, comunicação institucional, planejamento governamental e políticas públicas.

Entre as iniciativas relacionadas à sua trajetória profissional estão o Ronda no Bairro, o Amazonas Digital, o Viver Melhor, a Cidade Universitária e o Bolsa Universidade.

Perspectiva ampliou atuação em pesquisas

A experiência de Durango com pesquisas começou em 1990, em trabalhos realizados com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele período, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, quando os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Em 13 de julho de 1993, fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que mais tarde passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises sobre o comportamento dos consumidores.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa. Durango acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento dedicado às marcas e aos produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

Essa atuação consolidou seu trabalho com indicadores, tendências e informações utilizadas na orientação de decisões estratégicas.

Empresas atuam em comunicação, tecnologia e publicidade

Além da Perspectiva, Durango diversificou suas atividades empresariais. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.

Em 2021, fundou a Red Agency, direcionada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais.

A experiência em diferentes negócios envolveu gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial. Esses campos também estão relacionados à coordenação de um trabalho que reuniu profissionais de várias especialidades.

Instituto preserva documentos e memória do Amazonas

A atuação de Durango Duarte também inclui a preservação da memória histórica do Amazonas. Em 2015, ele fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros históricos.

Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes sobre a história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.

Durango também participou da publicação de obras relacionadas à política, à cultura, à comunicação e à história regional. Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, de 2020.

Também participou de publicações sobre a história da Zona Franca de Manaus, o ciclo da borracha e a preservação do patrimônio histórico da capital.

Plano será referência para a próxima gestão

Com a eleição de Omar Aziz para o Governo do Amazonas, o planejamento coordenado por Durango Duarte passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a próxima administração estadual.

Omar Aziz retorna ao comando do Executivo após ter governado o estado entre 2010 e 2014. Eleito ao lado da vice-governadora Alessandra Campêlo, primeira mulher eleita para o cargo no Amazonas, deverá iniciar a nova gestão em janeiro de 2027.

O próximo governo terá de lidar com temas relacionados à reorganização administrativa, à ampliação dos investimentos, à melhoria dos serviços públicos e ao desenvolvimento dos municípios do interior. O plano reúne propostas para essas áreas, mas a execução dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo.

O documento apresentado durante a campanha deixa, assim, de ser apenas uma referência programática e passa a compor a base técnica para a formulação de políticas públicas da próxima administração. A coordenação de especialistas, a organização de diagnósticos e a definição de indicadores formam a estrutura apresentada para orientar as decisões do governo eleito.