A Festa do Divino no Vale do Guaporé preserva uma tradição religiosa e cultural com mais de um século de história em Rondônia. Realizada por comunidades ribeirinhas do Brasil e da Bolívia, a celebração combina fé, memória, organização comunitária e uma romaria fluvial pelos rios da região.
A tradição foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Rondônia pela Lei Estadual nº 5.252, sancionada em 11 de janeiro de 2022. O reconhecimento considera a importância histórica e social da festa para comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas e bolivianas. (rondonia.ro.gov.br)
Como surgiu a Festa do Divino no Guaporé
A devoção ao Divino Espírito Santo tem origem portuguesa e chegou ao Vale do Guaporé por meio de comunidades ligadas à antiga Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso. Registros oficiais apontam que a tradição foi introduzida na região por volta de 1894, quando Manoel Fernandes Coelho levou uma coroa de prata para a localidade de Ilha das Flores.
A partir daí, a celebração passou a ser organizada pelas comunidades locais, mantendo símbolos religiosos e formas próprias de participação. Há registros que também mencionam a atuação de outros devotos na formação da festa e a realização de celebrações nas comunidades do Guaporé ainda no fim do século 19. (rondonia.ro.gov.br)
Como funciona a celebração
Um dos principais momentos é a romaria fluvial. A coroa, o cetro e a bandeira do Divino são transportados em embarcações que percorrem comunidades às margens do rio Guaporé e de seus afluentes. Durante o trajeto, os participantes visitam povoados, realizam orações e recolhem donativos destinados à continuidade da festa e ao apoio comunitário.
Segundo o Governo de Rondônia, a romaria pode se estender por cerca de 50 dias e alcançar dezenas de localidades brasileiras e bolivianas. O percurso envolve áreas de fronteira e comunidades de diferentes origens, o que faz da festa uma manifestação religiosa de caráter transfronteiriço. (rondonia.ro.gov.br)
A programação costuma ocorrer entre os meses de maio e junho, período associado ao encerramento das chuvas na região. A sede da celebração pode mudar de uma edição para outra, conforme a organização das comunidades e a tradição de rodízio entre os locais participantes. Por isso, o calendário e o ponto de chegada devem ser confirmados a cada ano com a Irmandade do Divino, as comunidades organizadoras ou os órgãos públicos envolvidos.
Quem pode participar
A festa reúne devotos, moradores das comunidades ribeirinhas, visitantes, pesquisadores e pessoas interessadas na cultura popular amazônica. A participação pode ocorrer nas celebrações religiosas, nas atividades comunitárias e nos momentos de recepção da romaria, sempre de acordo com as orientações dos organizadores.
Como parte do percurso é feita por rio, o visitante deve buscar informações antecipadas sobre transporte, hospedagem, alimentação, segurança e condições de acesso. Também é importante respeitar os espaços de oração, a rotina das comunidades, as áreas indígenas e quilombolas e as regras ambientais aplicáveis à região.
Importância cultural
Além do aspecto religioso, a Festa do Divino no Vale do Guaporé fortalece a identidade das comunidades e movimenta atividades como artesanato, alimentação e produção cultural. A celebração também preserva conhecimentos transmitidos entre gerações e mantém viva uma tradição que atravessa a história de Rondônia e a fronteira com a Bolívia.





