quarta-feira, 4 de novembro de 2026
CIDADES

Costa Marques: história e natureza às margens do Rio Guaporé, em Rondônia

Costa Marques, no Vale do Guaporé, combina patrimônio histórico e paisagens amazônicas. Às margens do rio que marca a fronteira entre Brasil e Bolívia, o município preserva a memória do Real Forte Príncipe da Beira e oferece atrativos ligados à pesca, às praias de água doce e à proteção de quelônios.

Costa Marques, no oeste de Rondônia, é um dos municípios mais representativos do Vale do Guaporé. Localizada na fronteira com a Bolívia, a cidade reúne referências da ocupação colonial, comunidades tradicionais e paisagens formadas pelo rio Guaporé, que influencia a economia, a cultura e o turismo da região.

O município se tornou conhecido principalmente pelo Real Forte Príncipe da Beira, uma das mais importantes construções militares do período colonial brasileiro. Erguida na margem direita do Guaporé, a fortificação foi projetada para reforçar o domínio português em uma área estratégica da fronteira sul-americana.

O Real Forte Príncipe da Beira

A construção do forte começou em 20 de junho de 1776, quando foi lançada a pedra fundamental. A obra foi concluída em 20 de agosto de 1783, sob a direção do capitão-engenheiro Ricardo Franco de Almeida e Serra, depois de ter sido iniciada pelo engenheiro Domingos Samboceti.

Com muralhas de grandes dimensões, o forte foi concebido para proteger os limites portugueses diante das disputas territoriais com a Espanha. Apesar de sua estrutura militar, não há registro de que tenha participado de combates. O local chegou a ser abandonado e, em 1914, foi visitado pela expedição do marechal Cândido Rondon.

O Real Forte Príncipe da Beira é protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1950 e também é reconhecido como sítio arqueológico. A fortificação permanece como um dos principais símbolos da história de Rondônia e da presença portuguesa na região amazônica. (gov.br)

Origem do município

A formação de Costa Marques está ligada à circulação de pessoas e mercadorias pelo Rio Guaporé. Registros históricos locais mencionam antigas povoações, missões religiosas e atividades relacionadas ao comércio e à exploração da borracha. O nome do município teria surgido em referência a Espiridião da Costa Marques, engenheiro e político mato-grossense que passou pela região no início do século 20.

A história local também inclui a presença de comunidades remanescentes de quilombos. A comunidade quilombola Forte Príncipe da Beira está situada nas proximidades da fortificação e mantém vínculos históricos com a ocupação do Vale do Guaporé. O território foi identificado em procedimento conduzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. (costamarques.ro.leg.br)

Rio Guaporé e paisagens naturais

Além do patrimônio histórico, Costa Marques tem como destaque a paisagem do Rio Guaporé. Durante o período de estiagem, o recuo das águas forma praias de água doce e amplia as áreas de lazer às margens do rio. Na cheia, o cenário muda e favorece passeios e atividades ligadas à navegação.

A pesca esportiva é outro atrativo apontado pelos órgãos estaduais de turismo. O rio abriga espécies como tucunaré, cachara, pacu, pirarara e corvina, entre outras. A região também é associada a iniciativas de proteção de tartarugas e tracajás, incluindo ações conhecidas como Projeto Quelônios. (rondoniatemturismo.ro.gov.br)

Com história marcada pela defesa territorial e natureza ligada ao ciclo das águas, Costa Marques apresenta uma combinação singular em Rondônia. O município preserva vestígios do período colonial ao mesmo tempo que mantém no Rio Guaporé uma referência para a vida cotidiana, a cultura e as atividades turísticas do Vale do Guaporé.