Nova Mamoré é um município do oeste de Rondônia cuja identidade foi construída pela presença dos rios, pela proximidade com a fronteira boliviana e pela ocupação da floresta amazônica. Com área territorial de aproximadamente 10 mil quilômetros quadrados, o município tinha 25.444 habitantes no Censo 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (ibge.gov.br)
Uma história ligada aos rios
A formação histórica de Nova Mamoré está relacionada ao antigo povoado de Vila Murtinho, localizado na confluência dos rios Mamoré e Beni. A união desses cursos d’água dá origem ao rio Madeira, um dos principais rios da bacia Amazônica. Durante o ciclo da borracha, a área ganhou importância por sua posição estratégica e pelas atividades de extração e circulação de mercadorias.
O rio Mamoré também está associado à divisão natural entre o Brasil e a Bolívia em parte da região. Essa condição ajudou a estabelecer relações comerciais, deslocamentos e formas de ocupação que ultrapassam os limites administrativos dos dois países. A paisagem ribeirinha, por sua vez, continua influenciando o cotidiano de comunidades, produtores e trabalhadores que vivem no município.
As marcas da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
No início do século 20, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré alterou a dinâmica regional. Vila Murtinho recebeu uma estação ferroviária e se tornou um ponto de parada importante entre Porto Velho e Guajará-Mirim. A ferrovia foi planejada para facilitar o transporte de produtos dos vales dos rios Beni e Madeira e ampliar a conexão com a Bolívia.
Com a interrupção das viagens ferroviárias, a antiga localidade perdeu parte de sua função econômica. Ruínas e vestígios da estação permanecem como referências de um período em que o trem estruturava o comércio e o deslocamento na região. A história da ferrovia ainda aparece na memória local e em iniciativas de valorização do patrimônio de Rondônia. (novamamore.ro.gov.br)
Emancipação e expansão urbana
A ocupação mais recente do núcleo urbano ocorreu nas proximidades da BR-425, rodovia que liga Nova Mamoré a Guajará-Mirim e a outras áreas do estado. A estrada contribuiu para a reorganização do município e para o deslocamento de pessoas e mercadorias, especialmente depois do declínio da ferrovia.
Nova Mamoré foi criada como município em 6 de julho de 1988, com território desmembrado de Guajará-Mirim. O nome atual foi consolidado em 17 de dezembro de 1993, após mudanças na denominação administrativa da cidade. (rondonia.ro.gov.br)
Floresta e áreas protegidas
Além da importância histórica e fronteiriça, Nova Mamoré integra uma região de grande relevância ambiental. O município abriga áreas de floresta, rios, igarapés e ambientes que sustentam atividades extrativistas e formas tradicionais de uso da terra.
Parte desse patrimônio está relacionada à Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto, unidade criada para proteger a floresta e permitir o uso sustentável dos recursos naturais por populações tradicionais. A reserva alcança os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, reforçando a presença da conservação ambiental na organização territorial do oeste rondoniense. (legis.senado.leg.br)
Assim, Nova Mamoré reúne elementos que ajudam a explicar a diversidade de Rondônia: rios que conectam países e bacias, estradas que substituíram antigas ferrovias, áreas de floresta e uma população ligada à história amazônica. Entre a fronteira e o interior, o município mantém uma paisagem marcada pela presença permanente da água e da mata.








