quarta-feira, 4 de novembro de 2026
CIDADES

História dos pequenos municípios de Rondônia revela fortes, ferrovias e projetos de colonização

A história dos pequenos municípios de Rondônia reúne vestígios do período colonial, memórias da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e marcas dos projetos de colonização que transformaram o território ao longo do século 20.

A história dos pequenos municípios de Rondônia é formada por episódios que ajudam a explicar a ocupação, a economia e a diversidade cultural do estado. Fora dos grandes centros, cidades como Costa Marques, Nova Mamoré e Primavera de Rondônia preservam marcas de diferentes períodos: a disputa colonial por fronteiras, o ciclo da borracha, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e os projetos de colonização agrícola.

Essas trajetórias nem sempre aparecem nos principais roteiros históricos da Amazônia, mas estão presentes em fortes, antigas estações, comunidades ribeirinhas e memórias transmitidas entre gerações.

Costa Marques e o legado do Real Forte Príncipe da Beira

No município de Costa Marques, no Vale do Guaporé, está um dos principais vestígios do período colonial na região: o Real Forte Príncipe da Beira. A construção começou em 1776, durante o governo da Capitania de Mato Grosso, para reforçar a presença portuguesa na fronteira com os territórios sob domínio espanhol. A fortificação foi inaugurada em 1783.

O forte foi erguido em uma área de difícil acesso e envolveu o trabalho de militares, indígenas, pessoas escravizadas e outros trabalhadores. Sua localização estava relacionada ao controle das rotas fluviais e à proteção dos interesses portugueses na Amazônia Ocidental. O monumento foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1950. (gov.br)

Nova Mamoré nasceu às margens da ferrovia

A formação de Nova Mamoré está ligada à Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída no início do século 20. A antiga Vila Murtinho surgiu como um ponto de parada do trem que ligava Guajará-Mirim a Porto Velho. A estação estimulou o comércio e o deslocamento de produtos, contribuindo para o crescimento do povoado.

Com a desativação da ferrovia, a comunidade enfrentou isolamento e perda de atividade econômica. Parte das construções e dos equipamentos ferroviários entrou em processo de deterioração. Segundo o histórico do município reunido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), moradores de Vila Murtinho se deslocaram para a margem da BR-425, onde se formou a Vila Nova, núcleo que mais tarde daria origem ao município de Nova Mamoré. (rondonia.ro.gov.br)

Primavera de Rondônia e a colonização agrícola

Em Primavera de Rondônia, a história está relacionada aos projetos de colonização e assentamento implantados no estado durante a expansão da fronteira agrícola. A ocupação foi estimulada por iniciativas do governo federal e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que organizaram lotes, estradas e estruturas básicas para receber famílias e produtores rurais.

Esse processo também ocorreu em outras áreas de Rondônia e contribuiu para o surgimento de núcleos urbanos que depois se tornaram municípios. A formação dessas cidades foi marcada pela chegada de migrantes de diferentes regiões do país, pela abertura de estradas e pela transformação da paisagem rural. (50anos.incra.gov.br)

Memória espalhada pelo território

As histórias desses municípios mostram que a formação de Rondônia não ocorreu de maneira uniforme. Há cidades ligadas à defesa das fronteiras coloniais, outras que cresceram com a ferrovia e comunidades que se consolidaram a partir da colonização agrícola.

Preservar esses registros permite compreender não apenas a origem administrativa dos municípios, mas também os conflitos, deslocamentos e diferentes grupos sociais que participaram da construção do estado. Em Rondônia, muitas dessas narrativas permanecem fora dos livros mais conhecidos, embora estejam inscritas no patrimônio e na memória das comunidades locais.