quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Conheça histórias de quem vive às margens do Rio Madeira, em Rondônia

Moradores de comunidades como Bom Será, São Carlos, Nazaré e Maravilha mantêm modos de vida ligados à pesca, à agricultura de vazante e à memória do território.

Quem vive às margens do Rio Madeira, em Rondônia, organiza a vida de acordo com o movimento das águas. Em comunidades ribeirinhas como Bom Será, São Carlos, Nazaré, Cavalcante e Maravilha, o rio é caminho, fonte de alimento, espaço de trabalho e parte da memória coletiva.

As histórias desses moradores revelam um modo de vida construído ao longo de gerações. A rotina envolve pesca artesanal, pequenos roçados, agricultura de vazante, criação de animais e deslocamentos feitos principalmente por embarcações. Em muitas localidades, atividades simples do dia a dia dependem diretamente do nível do rio e das condições de navegação.

O rio como estrada e fonte de sustento

Para famílias ribeirinhas, o Rio Madeira funciona como via de transporte e ligação com outras comunidades. Barcos e pequenas embarcações são usados para buscar alimentos, levar produtos, acessar serviços públicos e transportar moradores até áreas urbanas.

A pesca também ocupa papel central. O pescado contribui para a alimentação e, em alguns casos, representa uma das principais fontes de renda. Na comunidade Bom Será, o pescador André Pinto dos Santos relatou os efeitos das mudanças enfrentadas pelos moradores. Em São Carlos, a pescadora e agricultora de vazante Simone Alves descreveu como a redução do nível do rio interfere na pesca e no cultivo. (prt14.mpt.mp.br)

Seca altera rotina e aumenta a distância

O período de estiagem modifica o cotidiano das comunidades. Com a descida do nível da água, surgem bancos de areia, o acesso aos portos fica mais difícil e alguns moradores precisam caminhar longas distâncias para buscar água ou alcançar uma embarcação.

Relatos de comunidades próximas a Porto Velho apontam ainda dificuldades para obter água adequada para o consumo. Em alguns locais, poços diminuem a vazão e fontes antes utilizadas pelos moradores deixam de atender às necessidades das famílias. O problema levou órgãos públicos a planejarem ações de acesso à água por meio de tecnologias sociais, como sistemas de captação de chuva. (gov.br)

Quando a cheia chega

Se a seca amplia as distâncias, a cheia pode atingir casas, plantações e criações. Moradores precisam reorganizar o transporte, proteger os bens e adaptar os espaços de moradia. Em comunidades afetadas por grandes enchentes, como ocorreu na região do Madeira, o impacto alcança também escolas, áreas de produção e locais de convivência.

Na comunidade Bom Será, a moradora Elizete Mota relatou que vive no local há duas décadas e que as cheias podem provocar perdas de plantações, animais e estruturas construídas pelas famílias. A experiência mostra como o calendário das águas influencia decisões sobre plantio, deslocamento e permanência no território. (portovelho.ro.gov.br)

Memória, trabalho e permanência

A vida ribeirinha no Madeira também é marcada pela preservação de histórias familiares e conhecimentos sobre a floresta. Estudos sobre a comunidade Maravilha, localizada em Porto Velho, registram a importância do plantio de roças e da produção de farinha para a identidade econômica e cultural dos moradores. (periodicos.uff.br)

Na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, narrativas de moradores registram técnicas de subsistência, saberes tradicionais e lembranças transmitidas entre gerações. Esses relatos ajudam a compreender que as comunidades ribeirinhas não são definidas apenas pelas dificuldades, mas também pela capacidade de adaptação, cooperação e permanência em seus territórios. (palavraearte.com)

Conhecer quem vive às margens do Rio Madeira é entender uma relação cotidiana com a natureza. Para essas famílias, cada cheia, vazante, viagem de barco e período de pesca faz parte de uma história coletiva que continua sendo construída em Rondônia.