quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Como os movimentos migratórios ajudaram a formar Rondônia

A formação de Rondônia foi marcada por diferentes movimentos migratórios ligados à borracha, à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, à mineração e à expansão agrícola.

Os movimentos migratórios em Rondônia foram decisivos para a formação econômica, social e cultural do estado. Ao longo de mais de um século, diferentes grupos chegaram à região atraídos por atividades como a extração da borracha, a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a mineração e a busca por terras para a agricultura.

Esse processo, porém, não ocorreu em um território vazio. Povos indígenas já viviam na região muito antes da chegada das frentes econômicas e dos migrantes. A história de Rondônia resulta do encontro, muitas vezes conflituoso, entre populações originárias, trabalhadores, comerciantes, agentes públicos e famílias vindas de várias partes do Brasil.

Nordestinos e os ciclos da borracha

No fim do século XIX e no início do século XX, a expansão da economia da borracha levou numerosos nordestinos para a Amazônia. A procura por mão de obra nos seringais contribuiu para o surgimento e o crescimento de povoados às margens dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de ampliar a produção de borracha provocou uma nova corrente migratória. Os chamados “soldados da borracha”, em grande parte recrutados no Nordeste, foram enviados para trabalhar nos seringais amazônicos. Essa movimentação reforçou a presença nordestina na formação da população rondoniense. (planalto.gov.br)

Trabalhadores da ferrovia e presença internacional

A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré também trouxe trabalhadores brasileiros e estrangeiros para a região. A ferrovia, inaugurada no início do século XX, ligava áreas do rio Madeira a Guajará-Mirim e atendia ao transporte de produtos e pessoas.

A obra contribuiu para a formação de núcleos urbanos e para a circulação de diferentes idiomas, costumes e tradições. Porto Velho cresceu a partir desse movimento de trabalhadores, comerciantes e servidores ligados à ferrovia e às atividades de apoio.

Mineração atraiu novos fluxos

A descoberta e a exploração da cassiterita, especialmente a partir da década de 1950, abriram uma nova etapa na história migratória de Rondônia. Garimpeiros e outros trabalhadores se deslocaram para áreas como Ariquemes e Porto Velho em busca de oportunidades na extração mineral.

Mais tarde, a exploração de ouro e de outros minerais também estimulou deslocamentos internos e ajudou a ampliar núcleos urbanos. A mineração movimentou o comércio, os serviços e o transporte, embora tenha produzido ciclos econômicos marcados por expansão e retração. (planalto.gov.br)

A BR-364 e a colonização agrícola

A abertura e a melhoria das condições de tráfego da BR-364, que liga Cuiabá a Porto Velho, intensificaram a chegada de migrantes a partir das décadas de 1960 e 1970. A rodovia facilitou o transporte, aproximou Rondônia de outras regiões e se tornou um dos principais caminhos da ocupação agrícola.

Projetos de colonização e assentamento conduzidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) atraíram famílias principalmente do Paraná, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, do Espírito Santo e de Minas Gerais. Muitos migrantes buscavam terras para produzir, enquanto outros eram atraídos pela expansão do comércio, dos serviços e das obras públicas.

De acordo com o Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável de Rondônia, o número de imigrantes aumentou de 285.494 na década de 1970 para 411.795 na década seguinte. O documento também destaca a forte participação de migrantes do Sul na expansão agropecuária do estado. (sepog.ro.gov.br)

Uma identidade formada pela diversidade

A combinação desses fluxos ajudou a formar uma sociedade marcada pela diversidade regional. Costumes nordestinos, sulistas, amazônicos e de outras partes do país passaram a conviver na culinária, na música, nas festas religiosas, no trabalho rural e na vida urbana.

Assim, compreender a formação de Rondônia exige observar os diferentes momentos de chegada de pessoas e grupos, além das políticas públicas e das atividades econômicas que estimularam esses deslocamentos. O resultado foi a criação de um estado cuja população tem forte presença de pessoas nascidas fora de seu território. No Censo 2010, Rondônia registrou uma das maiores proporções de moradores não naturais da unidade da Federação, com 43,5%. (agenciadenoticias.ibge.gov.br)