quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Política

Desenvolvimento econômico e preservação ambiental estão no centro do debate em Rondônia

Em Rondônia, o debate sobre desenvolvimento econômico e preservação ambiental ganhou espaço em instrumentos de planejamento e audiências públicas que discutem o uso do território, a produção sustentável e a redução das desigualdades regionais.

O desenvolvimento econômico e a preservação ambiental estão entre os principais temas do debate público em Rondônia. Em um estado marcado pela força do agronegócio, pela presença de áreas protegidas e pela diversidade de comunidades rurais e tradicionais, a discussão envolve o futuro da produção, o uso do território e a proteção dos recursos naturais.

A tentativa de conciliar essas agendas aparece em documentos de planejamento, audiências públicas e propostas voltadas à economia sustentável. O desafio é transformar diretrizes gerais em políticas capazes de gerar emprego e renda sem ampliar a degradação ambiental ou aumentar as desigualdades entre as regiões do estado.

Planejamento estadual incorpora sustentabilidade

Em março de 2026, o Governo de Rondônia apresentou a revisão do Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável, o PDES 2030. O documento foi elaborado para orientar políticas públicas de longo prazo e reúne objetivos ligados ao crescimento econômico, à inclusão social, à inovação, à infraestrutura e à sustentabilidade ambiental. (sepog.ro.gov.br)

Segundo a Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, a revisão contou com oficinas, consultas públicas e audiências regionais. O processo envolveu representantes de municípios, setores produtivos, organizações da sociedade civil e outras instituições. A proposta é considerar as diferenças entre as regiões de planejamento e direcionar investimentos de acordo com as vocações e necessidades locais. (sepog.ro.gov.br)

Entre as diretrizes do plano está o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis e competitivas. A abordagem inclui a valorização da produção regional, a melhoria da infraestrutura e o estímulo à inovação como formas de ampliar a geração de renda sem depender exclusivamente da expansão sobre novas áreas.

Zoneamento é tratado como instrumento de equilíbrio

Outro eixo do debate é a atualização do Zoneamento Socioeconômico-Ecológico de Rondônia. O instrumento orienta o uso e a ocupação do território e tem impacto sobre atividades agropecuárias, regularização fundiária, conservação ambiental e segurança jurídica para produtores e investidores.

Em 18 de junho de 2026, a Assembleia Legislativa aprovou a realização de audiência pública para discutir a revisão do zoneamento. A iniciativa colocou no mesmo debate órgãos públicos, setor produtivo, entidades profissionais e representantes da sociedade. (sapl.al.ro.leg.br)

A discussão mostra que a questão ambiental não está restrita à criação de áreas protegidas. Ela também envolve fiscalização, regularização, recuperação de áreas degradadas, prevenção de queimadas e definição de regras claras para as atividades econômicas. Ao mesmo tempo, produtores e municípios defendem previsibilidade para planejar investimentos e ampliar a produção dentro da legislação.

Economia verde depende de execução

A bioeconomia e o aproveitamento sustentável dos recursos naturais também aparecem como alternativas para diversificar a economia de Rondônia. A proposta é agregar valor a produtos florestais, fortalecer cadeias locais e ampliar as oportunidades para comunidades que dependem da floresta, dos rios e da agricultura familiar.

Na prática, porém, a conciliação entre desenvolvimento e preservação exige fiscalização eficiente, crédito, assistência técnica, pesquisa e acesso a mercados. Também depende de indicadores que permitam acompanhar resultados, identificar impactos e corrigir políticas quando necessário.

O debate público em Rondônia, portanto, não se resume à escolha entre produzir ou preservar. A questão central é definir quais atividades podem gerar desenvolvimento, em que áreas, sob quais regras e com quais contrapartidas ambientais e sociais. O avanço dessa agenda dependerá da capacidade de transformar planos e compromissos em ações monitoradas e resultados verificáveis.